Breve resenha de O Fascismo no Sul do Brasil - Germanismo, Nazismo e Integralismo, de René Gertz
No início da obra, René lembra algo crucial, que prova o distanciamento dos sulistas do separatismo e do pangermanismo presente no discurso político discriminatório da República Velha: o apoio dos teutos ao castilhismo e o fracasso das tentativas de se criar um "Partido Colonial" no Rio Grande do Sul.
No Rio Grande, ao contrário dos demais estados, havia uma burocracia partidária positivista tão poderosa que os próprios coronéis locais eram braços dela, e a gestão castilhista do PRR foi a melhor expressão disso.
Afirma-se que Castilhos temia os teutos no estado, talvez devido à suspeita de que o "perigo alemão" criaria um estado dentro do estado, e os republicanos castilhistas tinham em Gaspar Silveira Martins e Karl von Koseritz, afeitos aos direitos dos estrangeiros locais, opositores sanguíneos. Um apoiador do PRR chegou à executar Friedrich Haensel, deputado alemão. Mas Castilhos reverteu a situação cooptando os colonos, inclusive com a construção de redes escolares na zona colonial.
Outro fator único no contexto gaúcho republicano era o "coronelismo sob rédeas" que vigorava no estado. Enquanto o grande latifúndio dominava os outros estados, condicionando suas políticas internas e a própria direção federal, havia no Rio Grande do Sul um tipo especial de coronelismo, dependente do governo castilhista.
Se o "chefe natural" do município não agradava ao presidente do estado, este enviava um interventor ao lugar, a fim de tomar conta da política local. Citando Joseph Love, Gertz afirma que havia coronéis locais e regionais investidos de poder pessoal, porém, graças à disciplina imposta pela mão pesada do castilhismo, era impossível haver uma revolta coronelista.
Quando se sentia a necessidade da presença do governo estadual no município, o governador levava o prefeito à renúncia, substituindo-o por um coronel burocrata fiel ao PRR. Esta prática atingia também os municípios luso-brasileiros e as colônias.
Se havia paixões separatistas entre os teutos no Rio Grande do Sul e nos demais estados colonizados pelos alemães, elas feneceram com a ascensão do autoritarismo gaúcho (mais tarde imposto pelo varguismo à Federação).
Para Maestri, sob o domínio castilhista, a memória farroupilha passava a ser herança de todo sulino, não importando sua origem étnica, sua origem social, sua região de nascimento etc. Manipulava-se a história, apresentando o movimento como de toda a população do Rio Grande, contra o Estado central.
O mito da unidade da população na luta por um único ideal fortalecia a proposta de comunhão de interesses dos gaúchos, estabelecendo a pilastra da ordem republicana autoritária que regeu o Rio Grande do Sul até a Revolução de 1930.
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