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Mostrando postagens de julho, 2024

Desde el Sol hasta el abismo: Breve reflexão sobre o conservadorismo ibérico e o anseio pelo centralismo político

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Nos estudos de Ciência Política, nada se diz acerca do conservadorismo hispânico - fenômeno crucial para compreendermos a tradição política autoritária na América Latina. Apenas autores tradicionalistas e anti-liberais, como Miguel Ayuso e Camilo Nogueira Pardo exploram o tema - sendo seu escrito mais recente sobre a obra El conservadurismo en el mundo hispánico (ed. UniCervantes, 2021). No Brasil, Christian Lynch, p rofessor do Programa de Pós-graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) , escreveu artigos acerca do conservadorismo latino em geral - inclusive sobre a natureza centralizadora do Partido Conservador brasileiro no Segundo Império.  Mas é impressionante como Lynch, estudando o conservadorismo ibérico, mostra o quanto o anseio pela monarquia estabilizadora ficou impresso no republicanismo latino. O populismo, na perspectiva conservadora, não é acidental: ele é o pior sintoma da ausência do Rei. Perón, Castro, Chávez, Evo, Correa e Bukele nã...

Breve resenha de O Fascismo no Sul do Brasil - Germanismo, Nazismo e Integralismo, de René Gertz

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  Nos meus estudos sobre  mitos dezenovistas criados contra o elemento alemão e os teuto-brasileiros, estou lendo a obra O Fascismo no Sul do Brasil- Germanismo, Nazismo e Integralismo, de René Gertz. No início da obra, René lembra algo crucial, que prova o distanciamento dos sulistas do separatismo e do pangermanismo presente no discurso político discriminatório da República Velha: o apoio dos teutos ao castilhismo e o fracasso das tentativas de se criar um "Partido Colonial" no Rio Grande do Sul. No Rio Grande, ao contrário dos demais estados, havia uma burocracia partidária positivista tão poderosa que os próprios coronéis locais eram braços dela, e a gestão  castilhista do PRR foi a melhor expressão disso.  Afirma-se que Castilhos temia os teutos no estado, talvez devido à suspeita de que o "perigo alemão" criaria um estado dentro do estado, e os republicanos castilhistas tinham em Gaspar Silveira Martins e Karl von Koseritz, afeitos aos direitos dos estrangeiro...

"Pablito, venga a nosotros tu Reino": uma breve reflexão sobre o lugar do narcotráfico na santería latina

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Ainda se discute muito sobre a natureza do crime organizado nos países latinos - especialmente em períodos eleitorais, quando finalmente as autoridades locais investem mais em segurança pública (no caso do Rio de Janeiro, mais em policiamento ostensivo em áreas até então esquecidas pela Prefeitura).   E onde e o historiador (e também o sociólogo, no que diz respeito à epistemologia social) entram nesse debate? Em duas frentes de pesquisa: no estudo da formação histórico-social dos grupos e organizações criminosas e na busca pelas bases sociais de sua manutenção em sociedades desiguais como os países andinos e o Brasil. Assim, vale questionarmos por quê hoje há uma confusão, corrente entre classes populares, de elementos criminosos com a santería popular   na América do Sul (que engloba desde os cultos afro-americanos sincréticos até o devocionismo católico popular).  A santería latina, têm-se notado, absorveu e mistificou o consumo de drogas ilegais e a violência organiza...

O tiro na orelha de Donald Trump: uma breve reflexão sobre a concepção americana de autoridade

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Sobre o suposto atentado contra Trump, a função do analista político (bem como do sociólogo e, em certa medida, do historiador político) é teorizar sobre os possíveis efeitos políticos e sociais do ocorrido, e não questionar se realmente houve ou não um atentado.  Na tradição política americana, os assassinatos políticos são traumáticos, independentemente do caráter ou da conduta moral dos presidentes assassinados (vide o caso de John Kennedy, que teria tido várias amantes e, ainda assim, é rememorado por ter sido morto). Podemos dizer que, nos países em que o catolicismo confluiu-se com o positivismo estatal, a concepção da autoridade é muito mais emotiva e irracional - diferentemente dos Estados Unidos, onde o assassinato dum mandatário é interpretado pela sociedade como um golpe contra as instituições sociais  (e a tradicional descentralização federalista americana é a base desse "orgulho institucionalista"). O atentado contra o presidente é visto como um atentado contra a...

"Ni muerto, ni vivo. Está desaparecido": o lugar da ditadura cívico-militar argentina nos estudos de História Social

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A História social tem, como ciência recente, o mérito de analisar as ditaduras e regimes autocráticos não em si mesmos, numa perspectiva institucionalista rasa e monolítica, mas as relações de interdependência e mesmo de apoio popular a tais governos ao longo da História (especialmente da História contemporânea, que conheceu o fascismo e o nazismo alemão como expressões máximas do despotismo ocidental). As ditaduras modernas devem ser estudadas com cuidado, e cabe ao historiador avaliar como os cidadãos comuns - as "pessoas da rua" - enxergavam o desenrolar dos acontecimentos políticos nesses contextos. Aqui, faremos uma reflexão sobre a percepção das classes sociais argentinas da ditadura instaurada via golpe de Estado em 1976. A ditadura iniciada nos fins dos anos 1970 unificou a classe dominante argentina em torno do "restabelecimento da ordem", processo que contou com a benevolência ou indiferença de parte da população.  “Silêncio é saúde”, diziam cartazes espal...