A sangre y fuego: o ciclo de violência na Colômbia e o retorno do paramilitarismo gaitanista
Os capos do Estado Maior Conjunto do Exército Gaitanista da Colômbia (as ex-Autodefesas Gaitanistas) publicaram um vídeo em rede nacional ameaçando o processo de justiça e paz iniciado pelo petrismo.
Os chefes, reunidos em torno duma mesa, numa clareira de algum rincão do Urabá, se comprometeram a exterminar o ELN e suas dissidências. Segundo os paramilitares de "extrema direita", os guerrilheiros rivais, favorecidos por Petro, estão tentando retomar os territórios do norte do país, não estabelecer a tal "paz total".
A Colômbia vive em guerra civil. Foi-se Pablo Escobar, que financiava ambas guerrilhas. Foram-se os irmãos Castaño, fundadores das autodefesas camponesas, respaldados pelo presidente Uribe (que será julgado pelo Tribunal de Haia por acobertar massacres cometidos pelos "paracos").
A guerrilha continua com suas reivindicações revolucionárias e territoriais na Colômbia. Há dois dias o governo colombiano reconheceu o Ejército de Liberación Nacional (ELN) como uma guerrilha independente - o que acirra o conflito entre as próprias guerrilhas comunistas e prejudica as negociações de paz vigentes com Petro.
Assim, o conflito armado dos paisas se perpetua, como uma consequência da desintegração das FARC e a falta duma liderança do naipe de Marulanda.
Hoje, a zona do Caguán (onde na década de 1950 haviam as repúblicas independentes de Marquetalia, Guayabero e Sumapaz), que as FARC tentaram desmilitarizar completamente com os acordos de paz, é a mais violenta do país devido aos enfrentamentos entre o ELN e as Frentes Gentil Duarte e Ivan Mordisco.
A morte de Tirofijo foi, para as FARC, uma catástrofe, se considerarmos que foi a sua liderança (quase mística) que garantiu a unidade da causa armada na Colômbia desde 1964.
Mas, mesmo com ele, o Estado colombiano nunca logrou a paz. Como disse o senador conservador Enrique Hurtado, os paramilitares nunca quiseram paz - eles vivem na, da e pela guerra, e no dia em que a guerra acabar eles deixarão de existir.
Quando verem um ativista defendendo o "abracismo" penal ao ponto de apoiar a interferência belga e/ou estadunidense nas políticas de segurança pública de Estados soberanos, se lembrem da Colômbia. Um Estado que nunca pôde lidar com seus próprios facínoras.
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