Construir um paraíso entre os Andes e o mar: o fenômeno do uribismo e a guerra civil na Colômbia

 A questão paramilitar segue em pauta na Colômbia. Apesar dos constantes atritos entre Bogotá e a direção nacional do ELN (Exército de Libertação Nacional), em 25 de maio foi assinado, na capital da Venezuela, o primeiro ponto concebido no acordo que reconhece o desenvolvimento do "processo de participação da sociedade na construção da paz."

Na primeira semana deste mês, o ELN informou que retomaria a prática dos sequestros econômicos em resposta ao descumprimento do governo Petro em relação à criação e implementação do Fundo Multilateral para o Processo de Paz. 

Em meio aos acalorados diálogos de paz, o ELN culpou o governo Petro pelo surgimento do que chamou de "suposta dissidência" sua em Nariño, e mesmo assim faz exigências. 

Independentemente do que vai ocorrer ao fim do processo de paz na Colômbia (obviamente, se chegar a um termo), eu acredito que, com a derrocada do uribismo - a "extrema-direita" do país -, a Colômbia perdeu a oportunidade de afirmar-se como Estado nacional perante forças internas que convulsionam a vida social e prejudicam a própria consolidação da nação colombiana há 70 anos. 

Aqui entra o papel do historiador de definir os atos do governante pelo realismo político, não com viés ideológico. A conquista de Álvaro Uribe foi, como lembra Daniel Pércaut, oferecer aos colombianos a sensação de que a Colômbia, tal como ele a evoca, é uma nação, não "apesar de si mesma", mas segura de si mesma (o que chamava de "seguridad democratica"). Era um "nacionalismo democratizante", digamos assim.

O essencial do uribismo foi o reforço do potencial militar do país e no aumento das operações em diversas regiões, incluindo as zonas urbanas, onde as FARC haviam conseguido se infiltrar com o apoio das milícias.

Somente com Álvaro no poder as guerrilhas, começando pelas FARC, foram obrigadas a renunciar a operações de grande escala e a voltar aos antigos métodos da "guerra de guerrilhas". No entanto, esses sucessos não teriam sido tão consideráveis sem a contribuição da contraguerrilha, pois são elas que, recorrendo mais do que nunca aos métodos de guerra suja como massacres, desaparecimentos forçados ou deslocamentos massivos de população, recuperaram muitas regiões e finalmente obrigaram as FARC a se retirarem para as zonas que controlavam há muito tempo.

Com a organização de uma homenagem em 1999 ao general Rito Alejo del Río, o "pacificador de Urabá", envolvido na colaboração ativa com os paramilitares, Uribe dá seu aval à guerra suja, porém, não havia outro capaz de reforçar o poder presidencial e, finalmente, "refundar" o Estado colombiano naquele contexto.

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