Suas cabeças estão nos montes - vamos enterrá-las!: o bolivarianismo e as milícias populares na Venezuela
Os venezuelanos irão as urnas em 28 de julho, para ou reeleger Nicolás Maduro ou um opositor seu (e a oposição atual é tão nacionalista quanto os bolivarianos, embora haja uma confusão ideológica grande, sendo o chavismo-madurismo o fenômeno político mais coerente e ideológico na Venezuela).
Por mais que o seu regime seja, para mim, deplorável, temos que julgar Maduro de acordo com seu papel geopolítico e na estabilidade das instituições venezuelanas - e seria impossível manter essa ordem sem as Forças Armadas e a Milícia Bolivariana.
Não nego que o bolivarianismo tenha consenso social - e os anti-chavistas ganharam apenas 3 dos 23 governadores nas últimas eleições, perdendo também a prefeitura de Caracas. Grosso modo, acredito que os venezuelanos "se cansaram" de lidar com o chavismo, entendendo que é melhor ter esse governo que outro, novo e desconhecido.
Não tenho dúvidas de que, caso Maduro não seja reeleito, a Milícia Bolivariana - formada por cidadãos munidos de armas russas - vai reagir contra os anti-chavistas, podendo ocorrer assassinatos políticos. E é curioso que as milícias chavistas sejam inspiradas no Pazdaran iraniano.
Hoje, não se sabe o número exato de milicianos subordinados ao Ministério da Defesa. A ONG Control Ciudadano aponta que são 365 mil cabeças, enquanto o governo, durante os exercícios militares de Independencia II de maio de 2016, se ufanou de reunir 340 mil milicianos em todo o território nacional. Basicamente, a Venezuela "estatizou" guerrilhas que, sem dúvida, podem se fragmentar com a queda do chavismo.
A permanência de Maduro no poder, ao meu ver, impede o "rompimento" dessa barreira e a deflagração dum conflito civil na Venezuela. Duvido muito que os venezuelanos vão aceitar o risco de caírem na mesma espiral de violência revolucionária que a Colômbia.
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