Trotskistas, estalinistas e a massa brasileira: os partidos nanicos nas eleições municipais de 2024

 As eleições municipais desse ano revelaram, mais uma vez, o quão irrelevantes são os partidos da esquerda revolucionária no Brasil. Dentre os quatro mais votados, a União Patriótica (UP) é a que mais tem crescido no ambiente universitário, sendo totalmente irrelevante fora dali. 

Lucas Pavanato (PL-SP), vereador mais votado em São Paulo, teve mais votos que os partidos PSTU, UP, PCO e PCB juntos a nível nacional - cujo quociente eleitoral chegou a apenas 100 mil votos. Ou seja, se a eleição estivesse concentrada na cidade de São Paulo, nenhuma dessas legendas teria eleito ao menos 01 vereador. 

Essa é, podemos dizer com certeza, a realização plena do anseio miseano na democracia liberal: para Ludwig von Mises, o socialismo, assim como todo pensamento revolucionário não-liberal, é legítimo em si
mesmo e tem direito à existir e a ser divulgado, desde que esvazie a si próprio de seu conteúdo subversivo. 

Para Mises, o liberalismo comporta em si a "razão democrática", princípio que regula todo e qualquer debate dentro na sociedade liberal, e a qual todos os partidos devem se submeter. 

"Ah, mas esses partidos nanicos sempre foram irrelevantes em termos eleitorais", vocês dizem. Absolutamente não, pois os partidos nanicos de direita tiveram uma quantidade de votos astronômica: o NOVO teve 1,5 milhão de votos, o PRD (fusão do PTB com o Patriota) teve 1,1 milhão, o Partido da Mulher Brasileira teve 400 mil votos (e pode ganhar em Curitiba no 2º turno), o Mobiliza teve 300 mil e etc. 

Pensando pela psicologia das massas, a desilusão com a política "tradicional", assim como a ênfase no pequeno empreendedorismo, explicam esse fenômeno. A direita liberal, com a sua ênfase numa política eminentemente praxiológica (que naturaliza a pauperização do trabalho) atrai sim o eleitor, cansado coletivismo raso das esquerdas revolucionárias.

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