Uma caveira após outra: o petrismo e as negociações de paz com as milícias da Sierra Nevada de Santa Marta em 2025


Em meio a fracassos retumbantes com as guerrilhas de esquerda - dentre elas a Segunda Marquetalia, que sofreu uma cisão em novembro do ano passado por parte dos Controles de Frontera -, o petrismo agora tenta dialogar com as Autodefesas Conquistadores da Sierra Nevada (ACSN), que há anos assolam o Caribe colombiano nas zonas rurais. 

Dominando as cordilheiras do extremo norte da Colômbia, os paramilitares exigem um acordo de paz "melhor" que o de Santa Fe de Ralito, carimbado pelos uribistas como o melhor acordo feito desde 1991. Querem a garantia de que vão poder cumprir penas curtas por seus crimes e no próprio território que dominam, o departamento Magdalena e La Guajira.

Em meio a uma guerra localizada com as forças do Exército Gaitanista da Colômbia, os "camponeses" da Sierra Nevada negam ser narcos, e não teriam nenhum vínculo com os paysas de Medellín nem rotas de drogas sob seu controle. Assim, conseguiram se expandir para a zona urbana, criando milícias civis, como a chamada La Muerte. 

Parece que os paramilitares colombianos agora passam pelo mesmo ciclo das guerrilhas comunistas nos anos 1990: houve uma expansão para o meio urbano, como aconteceu com o M-19, que pode culminar em mais rachas internos, seja no braço urbano das autodefesas ou no comando central mesmo.

Porém, acredito que os Conquistadores da Sierra Nevada, sendo originários do território que dominam, gozam de apoio popular e maior coesão ideológica que as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que, encabeçada pela família Castaño, recebeu centenas de ex-combatentes do EPL entre 1989-93, período em que o paramilitarismo se unificou.

Com o conflito focado no extremo norte do país, Gustavo Petro e seu sucessor terão muito mais dificuldade de desmobilizar as ACSN, formadas em parte por antigos combatentes das AUC que se uniram ao Bloque Tayrona em 2007 e perceberam as falhas do processo de paz dos uribistas. 


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